Trilogia de Nova York (a única que você precisa ler)

10952_gg

Depois de “obras” como 50 Tons de Cinza, a palavra trilogia virou palavrão. (Repare: todo escritor sem talento quer escrever uma.) Por isso, cabe dizer que esta não tem nada a ver com elas, nem mesmo na quantidade de livros. É apenas um – mas que livro. Nele, o autor faz uma homenagem à ficção policial em três narrativas que emulam elementos do gênero – considerado  “menor” –, mas vão bem além dele. Para quem sabe que a literatura pode ser muito mais que as “trilogias”.

  • Do Paul Auster, li também “Invisível”, “A Noite do Oráculo” e “Homem no Escuro”. Nenhum menos que sensacional.
  • Descobri que existe uma versão para cinema de “Trilogia”. Mas não faço ideia se é boa.

 

 

Mommy – Pesado e leve ao mesmo tempo

momy
A intenção era ver “RelatosSelvagens”, com aquele ator argentino de sempre, mas acabei vendo Mommy, que se passa num Canadá fictício, onde os pais podem entregar seus filhos ao governo, sem muitas explicações. Claustrofóbico, tenso, bem dirigido, com gritos em excesso e uma enorme sensibilidade no meio disso tudo. Uma brincadeira que o diretor faz com a tela pode incomodar, mas pra mim, esse incômodo foi o de menos.

  • Dizem que o diretor, Xavier Dolan, tem 25 anos e esse é o 5º filme dele.
  • Se não ficou claro, achei um puta filme e recomendo. Aqui tem o trailer.

Skol Senses (uma cerveja inexplicável —de tão asquerosa)

skol-beats-azul
O slogan do negócio é verdadeiro: azul por fora e inexplicável por dentro. Mas me arrisco a descrever essa experiência sensorial em seis linhas. A primeira impressão foi a de beber perfume Avanço e depois só piorou. Conforme o troço fica menos gelado e mais esquisito, me senti tomando Sprite com Itaipava em uma proporção que favorecia a soda. O lance é uma ofensa até mesmo aos “Ices”, que por sua vez são uma ofensa às vodcas.

Leonard Cohen – Popular Problems (você pode encarar esse disco de dois jeitos)


Cohen está como Romário nos últimos anos de futebol. Não é nem sombra do que era, mas, mesmo assim, todos olhamos com atenção e respeito tudo que ele faz. Comparar “Popular Problems” com os antigos clássicos é um erro. O trabalho é mais complementar que concorrente. Cohen, poeta e louco como sempre, tem uma visão da vida, mais otimista e sábia do que nunca, e quer te dar uns toques. Ouça.

  • Cohen x Romário faz sentido. Pensa. Ambos viveram à sombra de gigantes. Dylan, Pelé.
  • Uma vantagem do disco novo é fazer gente nova conhecer Leonard Cohen.
  • Uma desvantagem do disco novo é fazer gente nova conhecer Leonard Cohen.

Flaming Lips – With A Little Help From My Fwends (Beatles no estilo bad trip)

(Image courtesy of Warner Bros. Records)
O cara toma um doce. Acha que não bateu. Aí toma mais uns cinco. No final, ele regrava Sgt.Peppers com uma coceira no dedo que recorta tanto os clássicos dos Beatles que não sobra nada ou quase nada. Gosto muito de cover, de versões, de Beatles, de tudo isso aí. Mas o Flaming Lips, como já vem fazendo nos últimos anos, errou a mão. Muita distorção e pouca música. Até com boa vontade, o disco é indefensável… a menos que você tome muito doce (e aí tenha essa bad trip).

  • Aposto que se você ouvir “Lucy in the sky of diamonds”, vai estragar o seu dia
  • No meio da barulheira infernal, tem a participação de Miley Cyrus

 

Dandy Warhols – The Best of Capitol Years 1995-2007


Meus amigos são uns merdas. Todos eles. Nenhum jamais disse: “Cara, ouve Dandy Warhols!”. Por isso, demorei tanto para descobrir essa belíssima banda e só agora estou embasbacado com a quantidade de música boa que os caras já fizeram. Ouvindo disco por disco, vejo neles um brilhantismo noventista só comparável ao do Blur, o que não é pouca coisa. Se você tem amigos tão merdas quanto eu, ouça essa coletânea e tire o atraso.

  • Sempre ouvie falar da banda, mas nunca tinha ouvido a banda
  • O hit “Bohemian Like You” é um chiclete maldito. Basta uma audição para amar.
  • O batera da banda tem um projeto paralelo excelente, chamado Immigrant Union (em breve resenharei)